quarta-feira, 12 de abril de 2017

Helena

Teus cabelos ralos, teus poucos fios brancos, tuas rugas distribuidas por todo rosto, tuas unhas sempre em tons de carmim, tudo teu ecoa dentro de mim. Tem um pouco de culpa se misturando aos meus globulos vermelhos. Eu queria ter visto uma última vez, ter te escutado dizer que eu não faço nada direito mas também ver teus olhos marejados ao me ver cruzar a porta, chegando ou saindo. Se eu soubesse que aquela era a última vez, Helena, eu juro que eu não te deixaria ir. Os últimos dias que eu tive você, reprisam em minha cabeça sem que eu sequer possa controlar o botão do play.

Eu posso te ouvir pronunciando meu nome, posso rever o medo refletido nos teus olhos, posso sentir o cheirinho do teu cabelo como se você estivesse me abraçando agora. Me desculpa, eu achei que você voltaria pra casa e que eu teria outras oportunidades de dizer o quanto eu transbordo de amor por você. Sabe, Helena, nenhuma noite foi mais escura que aquela, nem mais fria e nem mais longa. O dia seguinte amanheceu tão triste, no chuveiro a água lavava o rosto e se misturava ao choro, o peito ardia em brasa e não havia remédio. Na verdade, ainda não há. A vida escapa por entre nossos dedos e se quebra em mil pedaços quando encontra o chão. Meu coração acompanhou a queda, nunca mais foi o mesmo. Você deve ter levado um pedacinho dele, guarda contigo. Te guardo comigo. 


Tua ausência me dói por inteiro, Helena.

sábado, 8 de abril de 2017

Versinho de número seis


Mas é que de tanto te olhar, te decorei. E agora te transformo em palavras, pra te guardar comigo, pra te ler quando eu quiser.