16.10.17

Sobre colisões


Você poderia ser terra firme, porto seguro, mão entrelaçada, abraço quente, passo firme. Eu te dei espaço pra ser tanto e você, se achando esperto, se contenta com a beirada, com o raso, com o pouco. Você, sempre tão cheio de si, acha mesmo que o tempo trabalha ao seu favor e que vai te permitir experimentar de tudo sem fazer parte de nada. Mas, deixa eu te dizer, a vida é pra quem se envolve, pra quem sabe mergulhar.

Nosso encontro foi feito a colisão de dois corpos celestes, a explosão mais linda de todas, nossos batimentos acelerados ecoaram no momento exato do toque e fomos desmanchando até estarmos tão misturados a ponto de não sabermos o começo e o fim. Nunca houve encontro melhor. Você sabe. Mas, coberto de toda a sua teimosia, você ainda se permite abrir os dedos e nos deixar escapar. Vai sobrando pouco de nós, devagar vamos cabendo bem no centro da mão, e já não escorremos tanto entre os dedos porque somos pequenos grãos. Poucos. Olha pra toda a imensidão que já fomos e me diz, de uma vez, se essa é a melhor versão da nossa história. Olha pra mim, aqui e agora, antes que eu escape também. Eu seria capaz de me desmanchar em milhões de outro pedaços, ou gotas, ou partículas, pra você ser feliz. Mas, graças a toda dor que caminhos longos causam em nossos pés, eu aprendi também que apesar daquele pensamento de que a gente não deve fazer algo esperando alguma coisa em troca, isso não significa que a gente não mereça receber. E quer saber? Eu mereço. Eu sou inteiro amor por você, e por isso não posso ficar com o seu 1/3. Aliás, o amor é a única coisa que resta quando não nos resta mais nada. O que vai restar pra você? 


Nessa cidade nunca houve algo feito nós.
Você devia abraçar isso e não soltar nunca mais.